
Sempre admirei as pessoas que ficam anos a fio com os mesmos hábitos, utilizando os mesmos serviços, com velhos e arraigados padrões repetitivos. Reclamam, mas se adaptam e vão levando fielmente seus fardos de fidelidade. Admiro não com inveja, mas com curiosidade, assombro, porque foge do que considero razoável e vivo.
Eu sou infiel. Não é um modo tranquilo de viver, admito. Precisa-se de uma boa dose de adrenalina diária...
Fidelizações com empresas é um transtorno na minha vida. Sempre esqueço que tenho direito a pontos, milhas, descontos, etc.
E se aparece um serviço melhor, um profissional mais atualizado, com resultados eficientes, lá vou eu, de mala e cuia. A regra vale para tudo que me cerca.
Não sou do tipo atirado, volúvel, não é isto, não interprete ao extremo. Avalio antes as consequencias e muitas vezes mudo, mas não muito. Às vezes continuo com mais de uma opção, em uma fidelidade infielmente partilhada, soltando devagarinho o amor que sobra...
Este ano já mudei de casa, de depiladora, de massagista, de manicure, de porteiros, de auxiliares, e estou quase mudando de cabelereira. Estou resistindo a não testar uma nova podóloga, mas já senti que é questão de tempo. Mudei de homens, de mulheres, de técnicas, de humores, de sensações e idéias...
Abandonei projetos, alguns preconceitos, táticas equivocadas e deixei de lado uma infinidade de apegos e preocupações.
Tem mais um monte de coisas novas para experimentar, novos sabores, daí tenho experimentado novos restaurantes, abrindo mão dos antigos cujo sabor não tem mais significado nos dias de hoje, porque também meu paladar muda...
Por outro lado, retomo hábitos e profissionais abandonados, ou roupas esquecidas no pó do tempo. Retomo idéias, humores, homens, projetos, nem sempre com tranquilidade.
Haja coragem e suspense para retomar, reassumir posições perdidas e/ou abandonadas, porque aqui entra em campo o famoso orgulho!
Na verdade eu sou fiel, muito
fiel, a mim mesma, aos meus ritmos e tempos atuais, e não aos vínculos por si só, porque certamente me trocam por coisa melhor(ou deveriam).
Não abro mão das minhas experiências, assumo minhas escolhas, certas ou erradas e volto atrás, quando necessário e possível e estou aprendendo a ser infiel ao meu orgulho, que quando se agiganta fica maior do que minha ânsia de ser feliz ou de buscar um lugar ao sol(ou sombra).
Não fomento a prática, mas se a fidelidade estiver incomodando, se o orgulho estiver paralisando, a infidelidade é a porta da saída...
Faz bem para saúde ser fiel aos próprios instintos!!!